Uma breve – mas criteriosa – descrição sobre o que, afinal, é ser um mestre de RPG.
Um dos maiores desafios de se jogar RPG cabe ao mestre do jogo. Para aqueles que tem experiencia com esse jogo, esse desafio árduo torna-se uma grande diversão – para muitos a maior diversão de se jogar RPG. É por esse motivo que é prudente que jogadores iniciantes procurem mestres já experientes para “mestrarem” para eles, pois assim eles adquirem a experiencia necessária para, posteriormente, mestrarem eles mesmos. Nem todo grupo de jogadores iniciantes tem, no entanto, a sorte de conhecer alguém experiente/disposto a mestrar uma aventura de RPG para eles, e um deles deve assumir essa tarefa.
Se você esta lendo isso, assumo que foi a pessoa que aceitou esse encargo. Aqui eu irei lhe mostrar o básico que é preciso saber antes de começar efetivamente os encargos de um mestre de RPG.
Primeiramente é preciso definir o que é um mestre de RPG. É muito simples, na verdade: você é o responsável pelo jogo antes dele se iniciar, e você é aquele que permite ao mundo se desenvolver conforme o jogo acontece. Isso significa q você precisa criar uma história antes que todos se reunam para jogar, em um mundo que você controla.
A primeira coisa que é preciso saber sobre é: a história que você vai criar para o jogo deve ser o mais flexível possível. Isso porque a sua função é controlar o mundo em todos os seus aspectos, exceto pelos personagens dos jogadores. Além disso, eles são sempre os personagens centrais da história. Assim sendo, as decisões deles devem influenciar diretamente o rumo que a história deve tomar, eles devem sentir que estão em um mundo real, aonde cada coisa tem sua individualidade, e não é controlada por uma ordem cósmica única que tudo define exceto – curiosamente – eles mesmos. Em suma: a história pode ser sua, mas você vai conta-la em concorrência com eles.
Algo importante a ser dito quanto ao jogo conforme este se desenvolve é que, na medida que você é tudo no mundo (mais uma vez, com a exceção dos personagens dos jogadores), você também é a justiça - seja lá o que ela for-. Você é, portanto, o responsável pelo equilíbrio de tudo durante o jogo, e deve evitar que esse equilíbrio se desfaça. Aqui eu também me refiro aos personagens em relação ao mundo, mas isso não é o mais importante, o importante é que haja equilíbrio dentro do grupo. Nenhum dos jogadores vai achar divertido ficar à sombra de um personagem poderoso e favorecido pelos deuses e, pior ainda, controlado por um deles (um dos jogadores). Isso gera uma rivalidade interna que você não vai querer lidar. Seja, portanto, equilibrado: na hora de distribuir tesouros, faça com que cada um, no final da contagem, tenha recebido por igual – não necessariamente em número, mas em utilidade e qualidade -. Perceba, também, que esse exemplo dos tesouros é - como diz o nome - exemplificativo: ele vale para tudo que será, de alguma maneira, “destribuido” aos personagens. Outro exemplo: se a sua história tiver como um dos seus elementos um dos personagens especificamente, de aos outros a chance de brilhar, de desenvolver os seus personagens, mesmo quando isso não tiver nada a ver com a história (embora seria muito melhor se tivesse).
Por fim, a mais clichê das informações necessárias antes de mestrar (não que seja inútil, mas você vai encontra-la em absolutamente todo texto com um assunto similar ao deste): divirta-se. Não é só por que o mestre é, em grande parte, o responsável pela diversão dos jogadores, não é só porque ele tem várias responsabilidades a serem assumidas quando se vê nesse posto, que ele não pode se divertir tanto quanto os jogadores, você deve ter prazer em mestrar, senão – acredite – os seus jogadores também não irão se divertir com a sua história. Uma ultima coisa: eu disse “se divertir tanto quanto os jogadores”. Alguns mestres fazem dos seus personagens saco de pancada, meras peças de tabuleiro na sua história (o que, como você já leu, é inaceitável), ou ambos. Eles não servem para você exercitar uma potencial psicopatia ou megalomania. Se as suas histórias só forem capazes de frustra-los, muito em breve ninguém mais quererá jogar.
Aqui termina o primeiro artigo útil – eu espero – postado nessa coluna. Espero que seja útil para que os mestres iniciantes tenham uma noção do que irão enfrentar. Qualquer duvida, sugestão, critica ou agressão verbal pode ser postada nos comentários, e eu ficarei feliz em aprecia-las da maneira e na medida que me for possível.
